A DANÇA DE MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
“A dança de mestre-sala e porta-bandeira é como vôo de um beija-flor em torno de uma rosa, ele se aproxima, toca e sai. Volta a se aproximar, beija e sai. Nunca as ações são idênticas, e a rosa ao sabor do vento das asas do pássaro não permanece passiva, ela também dança.”
Wilma Nascimento
A criação da dupla Mestre-Sala e Porta-Bandeira, figuras importantes das escolas de samba, foi inspirada nos pares que saíam nos ranchos carnavalescos, conhecidos como balizas e porta-estandarte. O baliza, hoje Mestre-Sala, tinha a incumbência de defender sua companheira e o estandarte por ela carregado, uma vez que essa peça corria risco de ser arrebatada por componentes de outros grupos desfilantes, rivais.
O roubo ocorria, normalmente, no clímax da euforia momesca, quando as agremiações se encontravam e os mestres-salas, desenvolvendo o bailado, se descuidavam da proteção da porta-bandeira. Juvenal e Ceci, segundo alguns estudiosos, formaram o primeiro par de Mestre-Sala e Porta-Bandeira da primeira escola de samba carioca, a Deixa Falar.
A Porta-Bandeira é a figura mais representativa de uma escola de samba, pois a ela cabe a honra de conduzir o pavilhão da escola. Cabe a ela mostrar garbo, graça, elegância e sua dança não permite visagens desnecessárias. A Porta-Bandeira jamais se curva a qualquer pessoa, uma vez que ela ostenta o ponto máximo de uma escola que é seu pavilhão. O Mestre-Sala deve ser garboso e elegante no desenvolvimento da sua dança. As figuras do Mestre-Sala e Porta-Bandeira possuem visível inspiração nas cortes européias, e ainda hoje demonstram em suas evoluções a influência da danças de salão, valsas e minueto.
Na função, a Porta-Bandeira e o Mestre-Sala se identificam plenamente. Pois executam um bailado no ritmo do samba, mas não devendo nunca sambar. Fazem constantes movimentos sincronizados, tem variedades de passos e entendem-se a um simples olhar, nunca se comunicando verbalmente.
O julgamento do casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira começou a ser feito em 1938. Porém, os pontos não valiam para a exibição dos personagens, apenas para a fantasia, critério sustentado até 1957. Apenas em 1958 começou a ser julgada a dança do casal em concurso oficial e, durante alguns anos, valia 20 pontos. Nos dias atuais, o casal é julgado como unidade, na dança, harmonia, postura e indumentária.
Quesito MS e PB
Porta-Bandeira e Mestre-Sala dançam conjuntamente, constantemente. Fazem movimentos sincronizados, têm variedades de passos e entendem-se com um simples olhar e, por isso mesmo, são julgados em conjunto.
O julgador não deve se impressionar pelas qualidades de apenas um dos componentes do par.
Deve ser observado, em relação ao par, o bailado com características próprias enriquecido pela capacidade de improvisação e inventiva do par (dança característica); graça, beleza e o domínio do Mestre-Sala e da Porta-Bandeira devem traduzir-se numa coordenação de movimentos do casal que permita sua apreciação em conjunto (harmonia), durante a exibição; o par deve demonstrar dignidade compatível com a dança (postura); o capricho e o bom gosto das fantasias devem devidamente apreciados, assim como constitui deslize durante a exibição que um ou outro perca parte da sua indumentária.
Os subquesitos de julgamento são:
- Harmonia: é a perfeita sincronização da dança do par;
- Movimentação: perfeito deslocamento da dupla durante todo o desfile;
- Postura: é a correta apresentação da dupla;
- Efeito: é a impressão causada pelas fantasias, a beleza e o bom gosto das mesmas.
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